Você não foi ao enterro dos meus sonhos.
Mas, não importa, pois, eu também não fui.
Não havia tempo.
Quero lhe pedir um favor. Não traga velas, nem pêsames.
Traga uma sela.
Sim, uma sela, para o novo sonho que acabou de nascer.
Rebentou selvagem, já quer correr para o mundo.
Tenho agora que domá-lo, para não deixá-lo fugir.
Com ele domado e a sela colocada, eu e você montaremos nele.
Deixaremos que ele nos guie, mas, com cuidado, para que ele não vá muito longe, onde não podemos ir.
Passaremos através de campinas maravilhosas. Escutaremos belas músicas. Conheceremos magníficas criaturas. Conversaremos com vários sábios.
Cavalgaremos rápido, por alguns lugares, aqueles que forem tenebrosos, que forem difíceis de suportar e que você não merece ver.
Vamos nos divertir muito nesses dias.
Mas, chegará o dia em que nascerá o seu sonho.
E nesse dia, eu e você nos separaremos.
Você levara a sua sela embora, afinal, vai precisar dela.
Nesse mesmo dia meu sonho morrerá.
Ficarei sem sonho, sem sela e sem você.