sábado, 29 de janeiro de 2011

Palavras sem gosto.


Se eu pudesse sentir um gosto qualquer, agora, nessas palavras, eu não as escreveria.
Guardá-las-ia pra min. É por não sentir gosto algum que as escrevo.
Espero que alguém no mundo sinta algum gosto nelas, desse modo, a culpa seria minha, por não sentir nenhum gosto nas próprias palavras, e não do mundo.
Eu sou imperfeito, posso sempre melhorar. Mas, e o mundo?
O mundo não pode melhorar. O mundo é perfeito. Aquilo que é perfeito, não pode melhorar, pois, já é perfeito.
Se não achamos o mundo perfeito, é porque nossa imaginação nos prega uma peça.
Estranho como várias partes imperfeitas formam um todo perfeito. Mas, é assim.
É de todas as imperfeições que nasce a perfeição.
Só espero que alguém sinta algum gosto nessas palavras. Se o mundo é perfeito, e, ainda sim, não pode sentir gosto algum nas minhas palavras, é melhor que não seja mais perfeito.

Não há nada a dizer.


Não há nada a dizer, além de que não há nada a dizer.
O mímico continua se apresentando. Eles continuam assistindo.
A música já parou de tocar. Eles continuam dançando.
A noite já parou de amanhecer. Eles continuam esperando o sol.
A fala de todos, todos já sabem. Eles continuam ouvindo uns aos outros.
A bela dama já partiu. Eles continuam a procurá-la.
A saída continua lá. Eles continuam sem percebe - lá.
A vida já chegou. Eles continuam sem vive - lá.
Não há nada a dizer.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O perseguidor que perdeu sua presa de vista e o sábio que não é sábio.


Perseguidor que perdeu sua presa de vista: O que devemos fazer nessa seca, para acabar com a sede?

Sábio que não é sábio: Ora, o óbvio. Trazer a chuva carmesim! Use sua faca!

Perseguidor que perdeu sua presa de vista: Mas, quem eu terei de esfaquear, para conseguir fazer cair tal 
chuva?De quem será o sangue que se derramará sobre nós?

Sábio que não é sábio: Ora, Deus, de Deus.

Perseguidor que perdeu sua preza: Mas, isso não seria o mesmo que fazer amizade com o diabo?

Sábio que não é sábio: Ora, mas nós já temos amizade com o diabo há muito tempo. 

Perseguidor que perdeu sua presa: Mas, por qual motivo?

Sábio que não é sábio: Ora, por um motivo bem sensato. A verdade.

domingo, 23 de janeiro de 2011

For the country.


Brasil!

Por que os dias têm sido tão estranhos?
Por que todos dizem que somos um povo alegre?
Por que o carnaval?
Por que o futebol?

Brasil!

Onde está nosso Napoleão?
Onde está nosso Lincoln?
Onde está nossa guerra?
Onde está o Brasil?

Brasil!

Por que nossos índios foram assassinados?
O índio em nós ainda quer saber?
Por que ser cristão?
Não posso ser pagão?

Brasil!

Por que seu povo não tem se lembrado de 1964?
Mas, tem se lembrado de 11 de setembro?
Por que seu povo não lembra de Antonio Raposo Tavares?
O texto está muito comprido?

Brasil!

Por que essa geração, é a geração fast-food?
Texto também tem que ser um McDonald’s?
Até a escrita tem que ser fácil e rápida?
Por que tudo já tem que estar pronto?

Brasil!

Por que tem engolido toda a porra internacional?
Por que seu povo tem recusado os próprios escritores e poetas?
Minhas palavras não inspiram ordem e progresso?
Onde estão a sua ordem e o seu progresso?

Brasil!

Por que me obriga a vomitar essas palavras?
Elas fedem?
Como é o seu cheiro?
Por que Brasil?