sábado, 11 de dezembro de 2010

Um sonho, uma sela e você.


Você não foi ao enterro dos meus sonhos.
Mas, não importa, pois, eu também não fui.
Não havia tempo.

Quero lhe pedir um favor. Não traga velas, nem pêsames.
Traga uma sela.
Sim, uma sela, para o novo sonho que acabou de nascer.
Rebentou selvagem, já quer correr para o mundo.
Tenho agora que domá-lo, para não deixá-lo fugir.
Com ele domado e a sela colocada, eu e você montaremos nele.

Deixaremos que ele nos guie, mas, com cuidado, para que ele não vá muito longe, onde não podemos ir.
Passaremos através de campinas maravilhosas. Escutaremos belas músicas. Conheceremos magníficas criaturas. Conversaremos com vários sábios.

Cavalgaremos rápido, por alguns lugares, aqueles que forem tenebrosos, que forem difíceis de suportar e que você não merece ver.

Vamos nos divertir muito nesses dias.

Mas, chegará o dia em que nascerá o seu sonho.
E nesse dia, eu e você nos separaremos.
Você levara a sua sela embora, afinal, vai precisar dela.
Nesse mesmo dia meu sonho morrerá.
Ficarei sem sonho, sem sela e sem você.

Soneto Primeiro


Raio de sol nadando no mar calado,
manchando de luz as verdes imensidões.
Cumprindo a regra, calando escuridões.
Mate a noite! Liberte o dia atado!

Cantos dos pássaros que despertam vidas.
Contem aos prados que o alvor está vindo!
Peçam pêsames pelas trevas perdidas,
mas, não se esqueçam da aurora caindo.

Gire, oh Mundo!Continue, oh ciclo!
Oh, rotina cósmica da natureza,
desempenhe a sua função com destreza!

Vão-se embora velhas experiências!
Preencham-me novos acontecimentos,
sobreponham os já passados momentos!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Presença


Os céus se apresentam em imensas explosões de nuvem brancas,
que acontecem em um grande manto azul.
Ela está lá, raios de sol tocam-lhe a pele,
iluminam-lhe o corpo, refletindo beleza no cenário todo.
Veias azuis que surgem como cordas de um instrumento divino naqueles braços desnudos.
Ela encanta todo o meu ser, com sua música sagrada a adentrar minha alma.
Destrona qualquer orgulho e coíbe qualquer vontade em sua direção.

Quando Ela não está lá, sua presença não para de acontecer, incessantemente.
Não para de acontecer dentro de min. Não para de acontecer entre essas ruas. Não para de acontecer nesses campos, dentro dessas casas, em meio à essas vidas, através desses olhares, levitando nas brisas, abarcando o mundo todo.

Surgem imagens.

Mostram, provocam e fogem. Um algo que é melhor, que o aqui ou o lá. Que o agora, que o antes, que o depois e que o sempre.

A presença está perto, sempre. Está imaginável, sempre.

Mas estando ela lá, ou não, é sempre intocável.

Paraíso


Sublimes traços de luz no quarto escuro.
Fulgurantes resquícios de vida e de futuro.
Aglomeram-se e misturam-se, criam pequenas vias,
mas, são ilusões! Se aventurar por elas tu não devias.

É nelas que roubam o valioso gosto pela solidão
e, em meio a tal desolação, a aflição do ser acórdão.
Desfragmentam a vontade, e convertem-na em adoração.
Então, o que resta no teu mundo? Apenas uma volição!

Em uma única estrada tu caminharás e caminharás.
Procurarás, procurarás e não acharás nada. Em seguida, morrerás.
Depois, clamarás “Quero um paraíso!”, mas, alerto desde já, não o encontrarás.